Eu não iria postar, porém a última postagem foi "O começo de um minucioso inventário" daí me vi meio que obrigada a postar o inventário. Eu vi que não corrigi ou revisei tudo no nele e não estou com paciência para fazer isso agora, até porque minhas prioridades são outras(como você lerá na próxima postagem.)
Mas então lembrei que eu escrevi meu testemunho que li em um encontro do CR, está aí e futuramente eu postarei meu inventário, ok?
Lembrando que isso aí embaixo não retrata tudo da minha vida, claro, e também que minha mente não está congelada e pode mudar em certos conceitos. Eu não estou frequentando o CR no momento, estou me dedicando aos estudos para o ENEM, mas um dia acredito que voltarei a frequentar e/ou servir de novo nesse ministério que admiro. Caso meu testemunho te inspire, te ajude a pensar melhor sobre algo, por favor me diga, ficarei muito feliz ;) Ah, por favor perdoe os erros de português ;)
Oi, boa noite, meu nome é Cláudia Verônica, eu sou uma cristã em constante processo de recuperação com relação a depressão, traumas emocionais, dependência emocional, ansiedade e mais outras mazelas que são geralmente consequências dessas.
Eu nasci na igreja católica e desde pequena sirvo na igreja, fiz primeira comunhão, gostava
muito do catecismo, fiz o crisma e na adolescência fazia parte da Juventude franciscana de forma ativa,
depois Renovação Carismática
Católica
onde era do núcleo
do grupo e tinha muito orgulho disso, até o primeiro ano do Ensino Médio eu era católica convicta e praticante e cheguei a ser um tanto fanática,
discutindo com meus professores que não me deixavam fazer ficha de leitura de biografia de santos
ou que defendiam suas crenças
contrárias
à
igreja católica,
discutia com minha mãe
porque eu queria estar sempre na igreja e não estudava direito, através de um amigo conheci uma igreja batista assim que terminei
o ensino médio
e eu vi que a forma que eu vivia não estava de acordo com o que Deus queria pra mim. Eu cresci sem
uma presença
masculina próxima
significativa e hoje eu vejo o quanto isso gerou traumas em mim. Cresci com
conceitos de família,
amor, amizade e muitos princípios,
distorcidos, por exemplo quando criança minha mãe
dizia pra eu pegar dinheiro do meu avô escondido, que era normal, pegava dinheiro do meu tio
porque ele tinha de sobra e era meu padrinho, pegava as coisas emprestada sem
pedir, meu primeiro emprego era em uma loja de departamentos onde eu roubei vários materiais
escolares com a justificativa de que minha gerente era horrível e merecia,
eu continuava frequentando a igreja católica e roubando como se fosse normal, não achava que
era tão
errado o que eu fazia, no meu grupo da igreja eu já menti, fiz
coisas pra prejudicar as pessoas que eu tinha inveja. Através do meu tio e
meu irmão
eu tive contato com a pornografia e era costume frequente que eu tinha também, ver esse
tipo de coisa. Quando conheci a igreja batista minha mãe não me deixava ir
para a igreja de jeito nenhum e então eu parei de ir e ela me levava a força pra igreja
católica,
eu me sentia muito mal e apenas ia e ficava sentada durante toda a celebração, cheguei a
dizer para o frei que não
acreditava mais na confissão
dessa forma e que tinha ido me confessar obrigada, ele apertou meu braço um pouco mais
forte que o normal e eu nunca esqueci. Nessa época eu queria sair de casa pra poder ir pra igreja mas me
ensinaram que seria rebeldia, minha mãe rasgou os livros de discipulado que eu ganhei e espalhou
fotos de Maria no meu quarto dizendo pra eu não mexer, eu chorava muito e tentava entender porque era tão grande
problema eu ser evangélica.
Sempre tive um temperamento forte e sou muito parecida com minha mãe, o que gerava
sempre discussões
frequentes. Eu morei até
então
com minha mãe,
avô,
avó(
morreu quando eu tinha 5 anos), tios e tia, minha irmã e meu primo.
Minha mãe
não
se casou e eu conheci meu pai com 12 anos, ele morava e mora em São Luis. Eu
perdoei apenas recentemente minha mãe por ter me privado de ter um pai perto de mim.
Durante toda a minha vida eu acreditava que realmente
conhecia a Deus e isso me afastava mais dele talvez. Com uns 20 anos eu fui pra
São
Luis e morei sozinha alguns meses as custas da minha mãe, ajuda que
fez eu me sentir amada e meu pai, que não queria que eu ficasse lá, mas ajudava, lá eu frequentei uma igreja batista porém não me firmei e não procurei Deus
e sim amizades e um lugar legal. Em São Luis eu fazia um cursinho e procurei emprego mas não encontrei daí eu deixei o
cursinho sem dizer pra ninguém
e ficava só
em casa e gastava o dinheiro do cursinho alugando filmes e indo ao cinema e
comprando coisas que eu não
precisava, eu me sentia muito só
e um dia em uma parada de ônibus
conheci um homem com quem conversei um pouco, fui para o apartamento dele,
tomamos banho juntos e eu dormi lá, graças
a Deus não
aconteceu nada grave, no outro dia eu estava com medo e arrependida do que fiz,
estar sozinha e sem rumo definido me levou a uma tristeza que só piorava, me
levando a depressão
até
que quando minha tia que era dona do apartamento faleceu e eu não pude mais
ficar lá,
vim pra Fortaleza morar com minha irmã que é
2 anos mais velha que eu, eu cheguei aqui triste, sem perspectiva, sem vontade
de continuar respirando, eu procurei emprego por alguns meses e cada entrevista
me deixava mais frustrada e depressiva, encontrei meu emprego finalmente e lá nessa empresa
eu conheci pessoas que mostraram um mundo diferente que me atraiu e eu me
envolvi com o homossexualismo, com o mundo da bebida, rock, sexo e drogas, eu não cheguei a
experimentar tudo, Graças
a Deus, porém
passava várias
e várias
noites na casa dos outros muito bêbada, chegava de ressaca no trabalho, perdi amizades que de
certa forma eram construtivas em meio a tantas que eram falsas e por conveniência. Eu fiz um
curso de teatro básico
onde me sente livre pra ser o que eu quisesse e então vesti um
personagem, me transformei em outra pessoa por um tempo, quando tive a chance
de fazer um curso muito bom de teatro eu fui desclassificada por conta da
dependência
emocional porque na época
eu namorava uma garota e não
enxergava nada além
da minha namorada e não
me preparei de nenhuma forma. Minha irmã na época
apenas tentava mostrar que me aceitava e minha mãe também.
Eu nunca deixei de acreditar em Deus porém meu conceito
era: “Deus
é
amor, ele nos aceita como somos então vou continuar assim” .Nessa “onda” eu conhecia
cada dia alguém
um pouco pior, acredito que o limite foi quando eu levei um colega pra morar
com a gente que era usuário
de drogas e bebia e fumava e eu não me importei com minha irmã até
que ela disse que não
podia suportar isso e eu decidi sair de casa e ir morar com ele e minha prima,
a gente alugou uma casa em uma periferia onde você via o tráfico
na esquina e onde eu percebi que isso não era pra mim... Eu devia dinheiro para minha irmã e não tinha coragem
de falar com ela porque não
conseguia mentir pra ela. Eu chorava quando parava para olhar minha vida mas não acreditava
que podia mesmo mudar totalmente de vida.
“Quem nos
separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou
fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?
Como está escrito: "Por amor de ti
enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas
ao matadouro".
Mas, em todas estas coisas somos mais que
vencedores, por meio daquele que nos amou.
Pois estou convencido de que nem morte nem vida,
nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes,
nem altura nem profundidade, nem qualquer outra
coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo
Jesus, nosso Senhor. ”
(
Romanos 8:35-39)
Deus foi tão
misericordioso que me permitiu voltar pra casa depois de pouco tempo fora e ser
perdoada pela minha irmã
e pela minha mãe
que veio do Maranhão.
Eu voltei para o apartamento, um tempo passou e minha irmã se firmou mais
na igreja e orava sempre por mim até que eu aceitei uns convites pra visitar o PG dela( Por
conta do aniversário
dela “Meu
presente”
ela dizia) e num desses convites eu fiquei pro culto do sábado e nesse
culto eu senti Deus falando comigo “Já
está
na hora de você
voltar e agora se firmar”
, eu me reconciliei com Deus e desde então por mais que eu tenha recaídas, decepção com pessoas e problemas em me adaptar, eu nunca mais me
afastei da igreja e de Deus e tenho crescido cada dia mais pela misericórdia de Deus.
Conheci o CR e logo me interessei porque eu sabia que eu precisava mudar porque
meu temperamento e personalidade afastava as pessoas e eu não conseguia
servir na igreja como poderia, não conseguia crescer na vida espiritual como poderia. Eu
deixei muitos e muitos hábitos
destrutivos conhecendo a Deus como roubar, beber, usar drogas porém eu era
explosiva, impaciente, ansiosa, dependente emocional, depressiva, ainda tendo
recaídas
com relação a pornografia e eu não me achava digna de me chamar cristã por conta de
meu mal comportamento, eu acreditava que esses defeitos eram imperdoáveis ou impossíveis de moldar
ou mudar. No CR eu entendi que muita gente tem tendência em fazer
as coisas erradas, se comportar da forma errada, falar coisas que não deve, estar
depressiva mesmo tendo Deus no coração mas buscando mudar isso dia após dia,
conseguem se vigiar, superar suas dificuldades de auto controle e evitar recaídas. No CR eu
descobri e descubro a cada dia uma área em que devo vigiar mais ou descubro que cresci em algo
também.
A constância
me ajuda porque hoje eu sei que cada vez que ignoro as meus defeitos de caráter e minhas
mazelas, mais elas me dominam e me afastam do que Deus quer pra mim. Estando
sempre no CR eu me observo mais, eu me conheço mais, eu aprendo com cada história, eu ajudo
com minhas histórias
e eu cresço
e me recupero a cada dia. Por isso eu indico o CR para todos, porque trabalha
nossa disciplina, ajuda na nossa vigilância constante, nos dá a chance de ajudar a outros entre muitos outros benefícios que o
programa traz. Eu não
falei tudo nesse testemunho e acredito que poderia ser um testemunho melhor
elaborado, mas em resumo, essa é
minha história.
Obrigada pelo silêncio,
pela presença
e continuem no CR.
“"Vocês
são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.
E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca
debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim
ilumina a todos os que estão na casa.
Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens,
para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos
céus".
(
Mateus 5:14-16)